Os anos do chumbo não nos ensinaram nada
- Victor Ferreira

- 25 de abr. de 2019
- 2 min de leitura
Se seu professor na escola era um doutrinador esquerdista, fatalmente falou sobre os regimes ditatoriais que aconteceram na América do Sul. Financiadas pelos yankees, as ditaduras militares torturaram, mataram e sumiram com muitos inocentes. Governos (desgovernos, aliás) com esse viés traumatizam e barbarizam qualquer nação, e uma vez que finalmente se veem libertadas dessa desgraça, nunca mais querem algo parecido de volta.
Veja o exemplo de nossos vizinhos uruguaios, que passaram por doze anos sombrios sob regime, e que recentemente o Presidente Tabaré Vázquez deu ordem de prisão a Guido Manini Ríos, figura máxima da organização militar nacional, acusado de violar a Constituição ao dar declarações contra a reforma da previdência dos militares, ato que é proibido também no Brasil.
Podemos ir além também e citar nossos irmãos chilenos, que passaram por uma das ditaduras mais sangrentas e cruéis sob comando de Augusto Pinochet e buscam por justiça em nome das vítimas dos militares desde o fim do regime e não fazem a menor cerimônia em indiciar e prender os responsáveis pelas atrocidades.
Aqui no Brasil seguimos uma tendência contrária, onde muitos dão de ombros para o período nefasto que vivemos de 1964–1988. Alguns dizem que só sofriam arruaceiros e vagabundos, outros dizem que na época não havia corrupção, tampouco violência. Naquele show de horrores da votação do impeachment da Presidenta Dilma Rouseff, Jair Bolsonaro não só citou como exaltou Carlos Alberto Brilhante Ustra, um dos torturadores mais implacáveis da ditadura brasileira. Como prêmio, Bolsonaro foi eleito Presidente da República no último domingo (28).
As torturas, massacres e barbáries dos militares brasileiros durante pouco mais de 20 anos não foram suficientes para aprendermos a lição que nossos vizinhos assimilaram. Ao contrário do golpe de 1964, não foi preciso truculência para um milico tomar o poder, o governo foi cedido pelo nosso povo, de mãos beijadas e com manifestantes pró intervenção ainda por cima. O que mais precisa acontecer para os brasileiros terem repulsa e nojo de qualquer coisa que remeta essa época? Um povo sem memória é um povo sem futuro, e nós infelizmente não nos recordamos de nada. Oremos para que a ficha caia rapidamente e que a democracia seja o verdadeiro mito do povo brasileiro.


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