Mudar ou não, eis a questão
- Victor Ferreira

- 25 de abr. de 2019
- 3 min de leitura
No final do ano passado o Athletico Paranaense mudou sua identidade de forma radical e causou sangria em torcedores mais tradicionais. O Furacão mudou seu escudo, grafia do nome, uniforme e mascotes. Uma repaginada geral e drástica que dividiu opiniões, gerou memes e trouxe reflexões. Por que mudar itens tão fundamentais na identidade dos clubes? Onde fica a tradição no meio dessa história? Inovar é preciso?
Na América do Sul as mudanças sempre causam maior estranheza e revolta nos torcedores de plantão, assim como o Athletico, o tradicional América de Cali, da Colombia, resolveu inovar, e também mudou seu símbolo. O clássico diablo no centro deu lugar a uma letra “A’’ gigante, deixando os hinchas malucos, revoltados, e colocando a tag #EnElEscudoNoSeToca no topo dos assuntos do momento nas redes sociais.
Na Europa essas mudanças são mais comuns e vistas por outra perspectiva. A Juventus, maior campeã italiana, de tradição gigantesca local e internacional resolveu mudar radicalmente seu escudo e sua linguagem visual como um todo. Além do fim do formato ovalado, a zebra, tradicionalmente colocada no centro do escudo deu lugar a um enorme “J” com traços de logo de grife.
Outro clube grande, tradicional e de muita história que observou a necessidade de mudança foi o Atlético de Madrid. As mudanças no símbolo colchonero foram mais sutis, mas ainda assim viraram polêmica para os apaixonados torcedores do time da capital espanhola. Ao contrário dos casos anteriores, ocorreu uma espécie de redesenho, e não algo que foi feito do zero. Mesmo assim o transtorno foi grande.
A necessidade por uma nova imagem transcende clubes tradicionais e que sofrem com a revolta de seus torcedores apaixonados. Manchester City e Paris Saint Germain, dois clubes que buscam na base da grana estar na primeira prateleira do futebol mundial viram com bons olhos a oportunidade de mudança no visual. Mesmo sem grandes títulos, tradição e camisa, os dois clubes hoje são marcas globais que buscam por afirmação, que pode ser conquistada também por uma imagem do tamanho de suas marcas.
Os citizens de certa forma voltaram às suas origens. A águia dourada e as estrelas antes colocadas agora dão espaço para um remodelo do que já foi um dia. A referência portuária da cidade de Manchester volta a ter espaço, assim como o formato redondo que engloba o desenho.
O PSG, por sua vez, viu na alteração visual a oportunidade de estreitar seus laços com a sua cidade luz. O nome Paris em grafia maior, a remoção do berço e a mudança na tonalidade das cores fazem parte da estratégia de internacionalização do clube parisiense.
Como já dito, algumas mudanças deixaram torcidas enfurecidas, como no caso de outros dois clubes ingleses. O tradicionalíssimo e tri campeão da Liga Inglesa, Leeds United fez um escudo mais moderno, rejeitado prontamente pela sua torcida, que fez um abaixo assinado assim que a novidade foi lançada. O Leeds voltou atrás, ouviu sua torcida, brecou a mudança e abriu um concurso para os seus torcedores desenvolverem a nova identidade.
Ainda na terra da Rainha, tivemos o Everton, de Liverpool que decidiu modernizar o visual. Mudanças grandes nem sempre são recebidas da melhor forma. Rejeitado quase que completamente pelos seus torcedores, o escudo novo do Everton teve que ser alterado novamente, também em concurso com a torcida.
Além de uma melhor leitura nas plataformas digitais, os novos símbolos podem ser parte de uma modernização completa dos times, mas que devem ser feitas com prudência, de preferência causando poucos traumas. Mudanças fazem parte da história dos clubes, isso é fato, desafio a encontrar algum que não tenha mudado seus símbolos. São inúmeros os exemplos. Desde detalhes sutis até uma releitura completa, a evolução acontece. Mudar é preciso, mas desfazer da sua mais pura essência em alguns casos pode ser um tiro no pé e motivo de dor de cabeça. No Brasil o pioneiro foi o Athletico, que foi ousado ao mudar sua imagem já estabelecida. O clube historicamente se destaca por sua maneira pouco ortodoxa de lidar com certos temas. Mas e os grandes tradicionais, estão prontos para essas mudanças? Seguirão também essas tendências? Como suas torcidas reagirão? Só o tempo dirá!


Comentários